Como descobrir seu propósito de vida em 5 minutos

Quando alguém pergunta O que você faz?, o que — ou melhor, como — você responde? Trabalho na construção civil? Dou aulas de matemática? Cuido da controladoria de uma pequena empresa? (Dica: se você começa por é complicado… precisa mesmo ler esse texto).

E como você se sente depois dessas respostas? Mais empolgado com o seu propósito de vida? Ou triste e vazio por não fazer nada realmente útil pela humanidade (ou sequer pelo seu bairro)?

A palestra de pouco mais de 10 minutos do produtor de cinema Adam Leipzig (na foto acima e no vídeo abaixo) é para os que, como eu, se encaixam na segunda opção (não estamos sozinhos: as outras 12 milhões de pessoas que assistiram ao TEDx estão no mesmo barco).

Segundo Leipzig, todos nós temos um propósito na vida — e, por incrível que pareça, é simples encontrá-lo. Basta responder a estas cinco perguntas:

  1. Quem é você? (seu nome)
  2. O que você faz? (em uma única palavra, qual é a coisa que você mais gosta de fazer/ faz com mais frequência? Escrever? Pintar? Desenhar? Ensinar?)
  3. Para quem você faz isso? (Quem é seu público? Crianças na periferia? Funcionários do governo? Professores universitários? Mães que trabalham fora?)
  4. E o que essas pessoas querem ou precisam? (O que elas buscam? Como você pode ajudá-las?)
  5. O que essas pessoas ganham com o que você faz? Como elas se transformam como resultado do seu trabalho?

A ideia é que, ao juntar essas respostas, você vá além de uma simples descrição do que faz para sobreviver e descubra um sentido (muito) mais profundo para sua vida neste planeta. Acredite: ele existe. 

Quer ver só? Peguemos como exemplo um professor de matemática (muito embora essa profissão já tenha todos os méritos).

Ao ser perguntado sobre o que faz, João da Silva, nossa cobaia, pode responder:

— Sou professor de matemática na rede pública.

(Dá pra imaginar os ombros caídos, o olhar cabisbaixo e o tom de desânimo na voz dele, não?)

Pela “fórmula” de Leipzig, João responderia da seguinte maneira à mesma pergunta:

Ensino matemática a crianças na periferia que sonham em um dia cursar uma faculdade. Graças a essas aulas, muitas delas passaram a acreditar em si mesmas e até convenceram seus pais de seu potencial. Boa parte dos meus alunos já não está mais nas ruas, exposta a drogas e violência — mas construindo seu futuro dentro da sala de aula.

Repare que o foco da narrativa de João mudou radicalmente. Em vez de descrever cruamente o que faz, ele passou a descrever como está mudando (para melhor) a vida dos seus alunos.

O resultado? Em vez de equações maçantes, passamos a imaginar crianças carentes com dignidade e autoestima. Quem sabe até um engenheiro da Nasa. Muito mais empolgante para quem ouve e, principalmente, para quem faz, não?

menino astronauta

 

ENCONTRAR UM PROPÓSITO PARA O QUE FAZEMOS não serve apenas para nos tornar virtuosos aos olhos de colegas e vizinhos. Inúmeros estudos de psicologia mostram que a nossa conversa interna — aquele monólogo que fica na cabeça dia e noite e que combina pensamentos conscientes e crenças inconscientes para interpretar o que acontece ao redor — pode nos jogar para cima (com frases do tipo Você consegue! É bom no que faz!) ou nos atirar no lodo (com mensagens como Você é um fracasso; não importa o quanto se esforce, jamais fará algo de útil).

Esse papo interno é tão poderoso que pode influenciar diversas áreas da nossa vida — inclusive determinar nossa expectativa de vida.  Um estudo realizado ao longo de 20 anos por pesquisadores da Universidade Yale nos Estados Unidos revelou uma enorme diferença na longevidade entre os que tinham uma visão otimista e pessimista do envelhecimento.

“Se você diz: ‘Acho que envelhecer vai ser demais!’, é muito provável que viva 7,6 anos a mais que o seu amigo que pensa: ‘Acho que envelhecer vai ser um saco’”, diz Robyn Castellani em um post no site da revista Forbes sobre o estudo.  E isso se estende a todas as áreas da nossa vida. “Você vai conseguir aquela promoção? Seu casamento vai sobreviver aos altos e baixos? Sua empresa vai bater as metas do ano? A melhor maneira de prever esses resultados não é pelos fatos ou pela situação, mas pela história que você conta [a si mesmo].”

Por isso, se você quer mudar a sua realidade — ou o que pensa sobre seu papel no mundo — comece por repensar sua narrativa pessoal.  

 

LEIPZIG NÃO É O PRIMEIRO, E CERTAMENTE  não é o único, a afirmar que uma mudança na nossa narrativa pode afetar toda a nossa vida. No TED There’s more to life than being happy (A vida é mais do que ser feliz), a psicóloga Emily Esfahani, autora do livro O Poder do Sentido, diz que a noção de propósito, de pertencer a algo maior do que nós mesmos, é mais profunda, poderosa e gratificante do que a tão almejada felicidade. E uma das maneiras mais eficientes de encontrar um sentido para o que fazemos é — adivinha! — reinterpretar a nossa realidade.

Segundo Esfahani, pessoas que tratam a própria história como uma narrativa do tipo antes era ótimo e agora está péssimo tendem a ser mais ansiosas e depressivas. Por outro lado, as que constroem enredos baseados na noção de que o mal é resgatado pelo bem levam uma vida com mais sentido, já que enxergam suas histórias pela ótica do crescimento e do amor.

Esfahani cita o exemplo de Emeka, um jovem que ficou paralisado depois de sofrer um acidente jogando futebol. “Depois da lesão, Emeka disse a si mesmo ‘Minha vida era maravilhosa, mas agora… olhe para mim’. Mas, com o passar do tempo, ele começou a se contar uma outra história. ‘Antes da lesão, minha vida não tinha um propósito. Eu só queria saber de festa e era um cara bem egoísta. O acidente me fez perceber que eu poderia ser uma pessoa melhor’. Essa edição na história mudou a vida de Emeka. Depois de contar essa narrativa a si mesmo, ele começou a dar mentoria a crianças e descobriu seu propósito: ajudar os outros.”

flor laranja

Perceba que o fato em si — o acidente — permanece o mesmo. O que mudou foi o modo como Emeka encarou a lesão.

Não se trata aqui de simplesmente ser otimista ou “poliana”, mas de enxergar a realidade (o que nos acontece) de outro ângulo. Em outras palavras, já que podemos escolher como interpretar um fato, por que não optar por uma versão que nos empurre para frente? 

**Leia mais em: Quer ser feliz? Então pare de correr atrás da felicidade e busque um propósito

 

UMA VEZ DEFINIDO SEU PROPÓSITO COM base nas cinco perguntas, Leipzig nos aconselha a começar a narrativa pelo final, ou seja, pela resposta que demos à última pergunta.

Voltando ao exemplo do professor de matemática, João começaria sua história por: ajudo a tirar crianças das ruas por meio do ensino de matemática.

À primeira vista, a técnica parece um tanto contraintuitiva. A primeira informação é sempre a mais importante — e o que eu faço importa mais do que tudo, certo? Errado. Quando se trata de propósito, do nosso propósito de vida, a transformação do outro é “a” parte mais importante. Talvez a única que realmente importa.

meninos

Do contrário, o que fazemos torna-se reles profissão, algo que nos rende um salário no final do mês. E olha lá.

 

SE VOCÊ, COMO EU, CORREU para responder às cinco perguntas de Leipzig, deve ter percebido que três delas se referem aos outros, e não a nós: para quem fazemos o que fazemos, o que essas pessoas desejam e o que ganham/como se transformam a partir da nossa contribuição.

elefante

“Por que essa fórmula é tão poderosa? Porque de todas essas perguntas, apenas duas são sobre você”, diz Leipzig no TEDx. “As outras três [perguntas] são sobre os outros. Isso te força a olhar para fora.  As pessoas mais bem-sucedidas em qualquer área sempre focam nas pessoas a quem eles servem. As pessoas mais felizes fazem questão de fazer outras pessoas felizes e de fazer coisas que as fazem se sentir cuidadas e seguras. A vida nos ensina que, se você fizer outras pessoas felizes, estará bem cuidado também.”

Piegas? Totalmente. Funciona? Com certeza. Preencha o roteiro proposto por Leipzig e depois me diga se não se sentiu mais entusiasmado com o seu lugar no mundo. Eu me empolguei 🙂

 

 

© Espaço Govinda (www.espacogovinda.com.br). Proibida a reprodução total ou parcial deste post sem a expressa autorização do autor. Citações estão liberadas desde que forneçam créditos ao site e link para o conteúdo original.

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