Estudo comprova que a consciência sobrevive à morte

Pesquisadores do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (NYU) encontraram evidências de que a nossa mente (ou atma, self, psique, espírito…) continua funcionando após a morte.

Eles chegaram a essa conclusão depois de analisar mais de 2000 casos de pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais nos Estados Unidos e na Europa desde 2008.

Dos 140 pacientes que foram considerados clinicamente mortos e “ressuscitaram” após intervenção médica, “mais de 40% ‘voltaram’ com alguma sensação de saber o que estava acontecendo com elas mesmo tendo ultrapassado o limite da morte”, disse o médico Sam Parnia, diretor de Cuidados Críticos e Ressuscitação em Langone e um dos coordenadores do estudo, à rede de TV americana CBS (veja abaixo).

Desses pacientes, 9% relatou algum tipo de experiência de quase morte — sentir-se fora do corpo, passar por um túnel de luz, encontrar familiares já falecidos ou ser avisado de que ainda não é hora de partir. E, de maneira mais alarmante, pelo menos 2 vítimas de parada cardíaca disseram ter visto ou ouvido tudo o que acontecia com elas durante o processo de ressuscitação — um deles chegou a reconhecer o médico que o salvou no dia seguinte, para espanto dos que estavam presentes.

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“A pergunta que fica é: por que isso acontece? Não temos as repostas”, disse Parnia. “No nosso modelo científico, quando alguém morre não deveria haver consciência, mas parece que ela não é aniquilada depois do processo de morte.”

O estudo da NYU — o maior desse tipo já realizado no mundo — reacendeu, portanto, um dos debates mais acalorados entre Ciência e Espiritualidade. Afinal, existe vida após a morte?

 

O QUE PARNIA CHAMA DE processo de morte é na verdade uma mistura de acontecimentos imediatos e gradativos. Historicamente na medicina, a vida cessa assim que o coração para de bater e o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido. Nesse momento, todas as funções corporais são “desligadas” e nenhuma onda cerebral é detectada pelos monitores entre 2 e 20 segundos.

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O apagão, no entanto, não dizima todas as células de uma vez. Algumas — e em especial as do cérebro — sobrevivem por minutos ou horas, fornecendo uma janela valiosa para a ressuscitação. “É por isso que conseguimos trazer as pessoas de volta à vida depois que cruzaram o limite da morte”, disse Parnia na entrevista à CBS. “E isso acaba levantando muitas perguntas sobre o que acontece [nesse intervalo].”

O estudo da NYU começou, assim, como uma investigação sobre a atividade cerebral depois que a morte clínica é decretada — a ideia era aprimorar os processos de ressuscitação para que os pacientes não “voltassem” com danos cerebrais, sofressem com disfunções de consciência ou permanecessem em um estado vegetativo após o tratamento.

O que Parnia e sua equipe acabaram descobrindo, no entanto, superou as expectativas, e acabou ajudando a entender um pouco melhor o que se passa quando deixamos este mundo. “Não esperávamos que as pessoas tivessem qualquer noção [do que acontecia com elas no processo de ressuscitação]”, disse Parnia. “Isso não significa que elas estejam acordadas, mas que a entidade de faz de nós quem somos — o self, a mente — parece continuar [após a morte].”

Para boa parte da comunidade científica, essas sensações — e até mesmo visões — no pós-morte não passam de alucinações provocadas pelos remédios usados no tratamento durante a reanimação. Parnia, como era de imaginar, discorda. Para ele, é justamente o uso de sedativos que impede que esses registros de consciência sejam ainda maiores — os que não se lembram de nada podem ter apenas perdido a memória como efeito dos medicamentos.

É possível presenciar o próprio fim?
Embora tenha realizado o estudo mais abrangente até aqui, a equipe da NYU não é a única a investigar a relação entre morte e consciência. Em 2013, uma pesquisa da Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos, mostrou que existe um súbito aumento na atividade cerebral de ratos na hora da morte.

Para isso, eles conectaram nove ratos a eletroencefalogramas e induziram uma parada cardíaca. Todos eles registraram ondas de atividade cerebral típicas de um estado consciente 30 segundos depois que o coração parou de bater. Ao mesmo tempo, a parte do cérebro que processa imagens — o córtex — também deu sinais de funcionamento. Situação análoga foi observada em ratos que morreram asfixiados.

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“Se os animais percebem isso como uma luz branca ou um túnel iluminado não temos como saber”, disse o neurocientista Jimo Borjigin, da Universidade de Michigan, ao site Livescience.com.

Curiosamente, na época do estudo o médico Sam Parnia não encontrou qualquer paralelo com o que acontece com os seres humanos que passam por experiências semelhantes. Segundo o especialista, pesquisas com pessoas e cachorros à beira da morte não indicavam uma atividade cerebral com o a que foi verificada nos ratos — como explicar, então, os relatos de quem permaneceu consciente até ser “ressuscitado”?

 

PARA AS GRANDES RELIGIÕES DO MUNDO, tanto do Oriente quanto do Ocidente, a imortalidade da alma é (e sempre foi) tão certa quanto os impostos — o que acontece com o espírito (ou atma, self, consciência, mente, psique…) depois que deixa esse mundo é outra história.

Textos como o Livro dos Espíritos no Espiritismo e o Livro Tibetano dos Mortos (também conhecido como Bardo Thödol) no Budismo, para ficar apenas em alguns exemplos, já descreviam em detalhes o que acontece quando morremos muito antes dos estudos científicos atuais — e as semelhanças com as descobertas da equipe da NYU são impressionantes.

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De acordo com o Livro dos Espíritos, a alma se desliga do corpo aos poucos — da mesma forma que as células do cérebro, como explicado por Sam Parnia, entram em declínio gradativo depois que o coração para de bater. “A observação prova que no instante da morte o desprendimento do Espírito não se completa subitamente”, diz o francês Allan Kardec, fundador do Espiritismo (acima), no capítulo que trata da separação da alma e do corpo. “[A cisão] se opera gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos.”

O Livro Tibetano dos Mortos (Ed. Martins Fontes), por sua vez, aborda os estágios de percepção da mente no período que transcorre entre a morte e o renascimento ou reencarnação (para o budismo, a consciência passa de um corpo a outro até atingir a iluminação e se livrar da roda do carma).

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Representação dos bardos (ou transições) por que passa a alma no Bardo Thödol

Escrito com base em uma tradição oral milenar, o Bardo Thödol afirma que é possível morrer de forma consciente — por isso ele é lido em voz alta a uma pessoa que está próxima da morte e continua sendo recitado mesmo Depois de cessados os sinais vitais. Os monges tibetanos acreditavam que a alma poderia ouvir os ensinamentos e aproveitá-los durante a transição para o outro lado.

De forma parecida, Parnia encontrou indícios de que a mente registra informações no pós-morte. Segundo o médico, há casos de pessoas que, quando inconscientes, são expostas a nomes de cidades e objetos e, ao retornarem, são capazes de citá-los aleatoriamente — ou seja, sem que tenham necessariamente lembranças desses lugares.

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Pare verificar se somos capazes de ouvir — e até de aprender — depois da morte, o time de pesquisadores da NYU criou testes de reconhecimento visual e auditivo para serem aplicados em momentos específicos do processo de ressuscitação. Os resultados devem ser divulgados nos próximos meses.

 

A CURIOSIDADE EM TORNO DO QUE acontece com a nossa mente (ou alma?) após a morte não é exclusividade da ciência e tampouco restrita à religião. Nos anos 90, o filme cult Flatliners (Além da Morte) mostrou um grupo de estudantes de medicina obcecados em entender o que acontece nos minutos que sucedem uma parada cardíaca — para isso, eles se revezam no bloqueio dos próprios corações.

Assim como aconteceu com os camundongos no estudo da Universidade de Michigan, o filme — que acaba de ser relançado — sugere que a experiência de morte e ressurreição aumenta a atividade cerebral — a ponto de os estudantes conseguirem se lembrar em detalhes de situações vividas em um passado remoto (veja o trailer abaixo).

Na vida real, no entanto, a situação é bem diferente — e até um tanto inspiradora. Segundo Parnia, quem “volta” da morte não traz consigo nenhum tipo de superpoder cerebral, mas uma nova perspectiva de vida. “O que costuma acontecer é que quem passou por essas experiências profundas [de quase morte] volta transformado positivamente”, disse o médico na entrevista à CBS. “Elas se tornam mais altruístas e engajadas em ajudar os outros. Descobrem um novo significado para a vida depois de um encontro com a morte.”

 

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