5 lições do Bhagavad Gita para vencer seu pior inimigo — você

O SOL TINHA ACABADO de nascer quando o exército dos Pandavas dirigiu-se ao campo de batalha. Munido do poderoso arco Gandiva, criado pelo deus Brahma, o jovem guerreiro Arjuna ajusta os últimos detalhes da carruagem. Fileiras intermináveis de aliados — entre eles seus irmãos, filhos e amigos — o acompanham de lado a lado, dispostos a dar a vida para devolver a cidade de Hastinapura a seus legítimos herdeiros.

A tão aguardada guerra contra os Kauravas está prestes a começar, pensou Arjuna com uma mistura de alívio e entusiasmo. Eles finalmente vão ter o que merecem.

Depois de mais de uma década de exílio forçado pelas florestas da Índia, Arjuna estava sedento por vingança. Ele e seus irmãos perderam tudo o que tinham — a fortuna, o reino, a dignidade — para os Kauravas, seus primos, após uma série de tramóias e tentativas de assassinato. A humilhação pública de sua esposa, Draupadi, ainda estava fresca na memória — em um ato vil e covarde, os Kauravas forçaram-na a se despir diante de todos os homens do clã bem no dia em que Arjuna ficou sem nada. Os Kauravas vão pagar por isso, pensou. Quando esse exílio acabar, vou dizimá-los um a um.

Mas tão logo os dois exércitos se encontram em Kurukshetra e soam as primeiras conchas, algo inesperado acontece. Arjuna dirige-se à linha que o separa de seus adversários e para em silêncio. À sua frente, legiões de Kauravas se estendem no horizonte. Ele então pensa em seu avô Bhishma, no seu mentor Drona e em tantos amigos e parentes que terá de enfrentar — e talvez até matar. Tomado de uma profunda compaixão, o guerreiro se vê diante de um impasse. Como posso derramar o sangue da minha própria família?

mahabharata battle

Com as pernas trêmulas, a boca seca e o suor escorrendo pelas têmporas, Arjuna cai de joelhos, joga o arco Gandiva no chão e, aos prantos, desabafa com seu melhor amigo, no comando da carruagem:

— Não consigo continuar essa luta. Que valor tem a vitória quando todos os que amamos estão mortos? Se vencermos esta guerra, todos os nossos ganhos estarão manchados com o sangue deles. O triunfo nunca é certo, mas nesse caso ele nem ao menos é desejável. Como posso viver depois de trucidar meus parentes?

O amigo dirige-se a Arjuna com a solidariedade e a compreensão de quem há anos acompanha a sua jornada. Ele sabe que o guerreiro é um fiel seguidor dos Vedas, as escrituras sagradas da Índia, e tenta aliviar seu sofrimento:

arjuna-krishna-chariot

— O dever de um soldado é combater, e combater bem. Se você desistir dessa luta, vai cometer um grande crime contra a sua honra, o seu dever e o seu povo. Homens de todos os lugares falarão de você com desprezo; a vergonha e a desonra são piores do que a morte para quem é nobre. Portanto, deixe para lá essa tristeza inútil pelos seus familiares.

Estupefato, Arjuna mal consegue responder. O que aconteceu com ‘amar uns aos outros’ e ‘perdoar nossos irmãos’?

 

O HOMEM QUE INSISTE para que Arjuna aniquile seus familiares não é um amigo qualquer — mas Krishna, uma das deidades mais cultuadas da Índia. Considerado o Ser Supremo pelos hindus, acredita-se que ele seja um avatar (ou encarnação) de Vishnu, o deus responsável pela manutenção do Universo (junto com Brahma e Shiva, Vishnu forma a trimurti, a trindade sagrada do hinduísmo).

No longo diálogo que mantém com Arjuna em pleno campo de batalha, Krishna o aconselha não somente a lutar, mas a fazer isso sem qualquer apego às pessoas ou ao resultado do embate. Ele insiste para que o jovem guerreiro veja as coisas como elas são — e não como gostaria que fossem. Seus primos eram torpes. Seu avô, omisso. Seus tios e amigos se provaram coniventes e acomodados.

Para Krishna, Arjuna deveria lutar porque este era o seu dever, a coisa certa a se fazer depois de todo o sofrimento que os Kauravas lhe causaram — o resto era com ele. Dessa conversa entre mestre e discípulo nasceu um dos textos sagrados do hinduísmo e um dos maiores clássicos da filosofia mundial — o Bhagavad Gita.

bhagavad gita

 

ESCRITO EM SÂNSCRITO e em forma de poesia por volta do século IV a.C, o Bhagavad Gita é parte do épico Mahabharata, que narra a mítica guerra entre Kauravas e Pandavas na formação da antiga Índia. O texto — que significa Canção Sublime ou Canção do Senhor — reúne os preceitos morais e espirituais que deram origem ao hinduísmo — como as noções de Karma (a lei da ação e suas consequências), Dharma (o caminho da Verdade) e Yoga (a disciplina para chegar à Verdade e ao Divino).

Mas é a sua dimensão simbólica que torna o Bhagavad Gita uma das obras mais populares da Índia. Isso porque os conselhos que Krishna dá a Arjuna não têm nada a ver com parricídio — mas com a luta que travamos internamente para nos tornar pessoas melhores. Enquanto os Pandavas, representados por Arjuna e seus irmãos, são um modelo de virtude e elevação espiritual, entre os Kauravas prevalece o egoísmo, a inveja, o ódio, o desejo de vingança e a busca desenfreada pelo poder.

Essas duas forças se enfrentam constantemente em nossa consciência e guiam o nosso crescimento. Ouvimos os Pandavas — e evoluímos —  todas as vezes em que deixamos de pensar em nós em benefício do todo ou quando abrimos mão de uma rusga ou ressentimento. Os Kauravas vencem sempre que somos levados pelo medo, pela insegurança e pelas paixões desenfreadas — se não regredimos, ficamos no mesmo lugar.

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Krishna aparece nesse contexto como uma espécie de voz interior (que também pode ser Deus, o Universo, a Consciência e etc), exigindo que sejamos implacáveis com nossos Kauravas para que possamos avançar — pessoal e espiritualmente. E isso tem que ser feito já; a evolução não pode esperar. É por isso que ele insiste para que Arjuna não protele o combate e elimine seus inimigos de uma vez. Do contrário, as dúvidas poderão levar o jovem guerreiro à inação, atrasando seu crescimento.

krishna arjuna

“O Bhagavad Gita é um tratado universal sobre a natureza humana”, diz a professora Lúcia Helena Galvão nesta palestra da Nova Acrópole, uma instituição internacional voltada ao ensino de filosofia (veja abaixo). “Ele mostra a batalha que acontece dentro do homem entre seu aspecto superior e inferior, entre suas virtudes e seus vícios. (…) Todos esses personagens estão dentro de nós.”

Segundo a professora, a noção de que podemos fazer milhares de escolhas na vida não passa de ilusão. No fim, temos apenas duas opções: para cima ou para baixo, para o espírito ou para a matéria — um dilema que, como você verá a seguir, está longe de ser trivial.

 

SERIA FÁCIL SE AS ESCOLHAS que temos de fazer se apresentassem como uma clara disputa entre o bem e o mal — atropelar ou não o ex distraído na rua, agredir ou não o motorista que te fechou no trânsito, roubar ou não um banco quando você precisa de dinheiro (espero que, a essa altura, as respostas sejam óbvias).

Mas, infelizmente, nossa batalha interior é muito mais complicada do que isso. Pode não parecer, mas somos apegados às nossas paixões e vícios, amamos os nossos “defeitos” — e, em nome (ou por causa) deles, perpetuamos comportamentos nocivos, que só atrapalham o nosso crescimento.

Apenas para citar alguns exemplos, chamamos de “amor próprio” ou “senso de justiça” o orgulho ferido que alimenta encrencas familiares. Insistimos em relacionamentos falidos por “amor” quando na verdade somos apenas egoístas. Renunciamos a novas oportunidades de trabalho por “prudência”. Medo? Jamais.

correntes

De tão habituais, esses “defeitos” já nem nos parecem tão ruins assim — são parte da nossa personalidade, da nossa “família”. É por isso que Arjuna reluta em enfrentar seus primos. Desapegar do que conhecemos, de um pedaço da gente, dói — e muito. “A guerra interior é bem mais difícil do que a exterior”, diz a professora Lúcia Galvão, da Nova Acrópole. “Ela exige um nível de identidade, de discernimento, de saber quem você é muito maior; no campo de batalha, você sabe o tempo todo quem é o inimigo.”

autosabotagem

Já não se pode dizer o mesmo da guerra interior. Na maior parte das vezes sequer nos damos conta de onde está o problema, de qual atitude ou comportamento sabota o nosso crescimento. “Nossos inimigos, os Kauravas, não são as pessoas lá fora”, diz a autora indiana Roopa Pai no TED Decoding the Gita, India’s book of answers (Decifrando o Gita, o livro indiano das respostas). “Eles estão dentro de nós. São as nossas dúvidas, medos e inseguranças, nossas paixões e ódios irracionais.” São, em suma, tudo o que nos impede de viver uma vida plena, de sermos a nossa melhor versão.

 

O EMBATE ENTRE O QUE SOMOS e o que queremos ser é tão crucial para a nossa evolução — e, ao mesmo tempo, tão difícil de ser resolvido — que foi retratado em diversas obras da literatura e do cinema, tanto antigas quanto atuais. Segundo a professora Lúcia Galvão, da Nova Acrópole, dos clássicos Odisséia e Eneida à saga Guerra nas Estrelas, não foram poucas as tentativas de reproduzir a mais traiçoeira de todas as guerras: assim como Arjuna, Ulisses, Eneias e o jovem Luke Skywalker precisam decidir que caminho seguir em batalhas que são tão externas quanto internas.

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“Para o Oriente, guerra não significa eliminação, mas atrito e superação; deixar algo para trás para conquistar coisas novas”, diz Lúcia Galvão, da Nova Acrópole. “Seria ridículo tentar calçar o mesmo sapato que você usava aos 3 anos de idade. Não serve mais. É nesse contexto que deve ser entendido o Bhagavad Gita. Tudo veio ao Universo para crescer.”

Nessa trajetória, podemos escolher entre os Pandavas e os Kauravas, entre o espírito e a matéria, entre os jedis e o poderoso Darth Vader. “Os Kauravas representam a personalidade do homem, mas não simplesmente a personalidade; a personalidade viciada em dominar”, diz Lúcia Galvão. “E no comando ela se torna cheia de vícios (…) que puxam a nossa atenção para nós mesmos, como se fôssemos o centro do Universo. A consciência cria valores conforme a sua identidade.”

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(Para outras semelhanças entre a saga Guerra nas Estrelas e o hinduísmo [inclusive o Bhagavad Gita], veja este post de Neha Natwarlal Malu [em inglês]. Como curiosidade, o mestre Yoda sugere a Luke Skywalker que “desaprenda” o que sabe para se tornar um jedi, da mesma forma que Krishna pede a Arjuna que abandone a ilusão dos sentidos.)

luke yoda

 

SE O CAMINHO PARA O NOSSO CRESCIMENTO nem sempre é óbvio, como saber que direção escolher? Não existe uma fórmula mágica, infelizmente. As batalhas que enfrentamos em nosso coração — ou na nossa consciência — são tão variadas quanto as pessoas na Terra.

Para dar conta dessa diversidade, o Bhagavad Gita oferece lições sobre temas tão amplos quanto a imortalidade da alma e o tipo de alimento que devemos comer (dica: esqueça as batatas fritas). Como é escrito em forma de diálogo, o texto nos oferece uma vantagem extra: um mestre — no caso, Krishna — que responde sem rodeios às dúvidas de seu discípulo — das mais elevadas às comezinhas. Não há pergunta que fique sem resposta no Bhagavad Gita.

Para você ter ideia, o pacifista Mahatma Gandhi, que libertou a Índia do domínio britânico sem usar de violência, consultava regularmente o texto sagrado em momentos de dúvida e desespero, e chegou a escrever sua versão do clássico hindu (O Bhagavad Gita segundo Gandhi, Ícone Editora).

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Gandhi precisava da orientação do Bhagavad Gita. Imagine a gente.


SEGUNDO O BHAGAVAD GITA,
NENHUMA AÇÃO é necessariamente boa ou ruim — é o propósito que faz dela uma coisa ou outra. “Portanto, questione a sua intenção antes de agir”, diz a indiana Roopa Pai no TED. “Minha ação é motivada por medo, raiva, ganância, desejo ou glória pessoal? Não faça nada. Do contrário, siga em frente.”

Simples, não? Nem sempre. Existe uma razão para a guerra interior ser a mais difícil de todas — ela exige doses cavalares de honestidade e autoconhecimento. O menor escorregão pode colocar tudo a perder. Para piorar, os Kauravas (ou Darth Vaders) fazem mais barulho e prometem mais benesses do que os Pandavas (ou Jedis). Afinal, o que há de errado em querer aplausos e reconhecimento no trabalho? Ou em dar um gelo naquele cunhado que pediu dinheiro emprestado há 20 anos e jamais devolveu?

Em uma única palavra — tudo.

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Para acabar com qualquer confusão e ajudá-lo a nunca mais sabotar seu próprio crescimento, separamos 6 lições essenciais do Bhagavad Gita:

  1. Você tem direito ao trabalho, mas jamais aos frutos dele. Parece injusto, mas a ideia é valorizar o caminho em vez do destino. Você deve dar o melhor de si em cada tarefa independentemente do resultado que irá alcançar — apenas porque esse é o seu dever, a coisa certa a fazer. Isso vale tanto na hora de preparar aquele relatório entediante no trabalho como para ajudar na crise de refugiados: o que vale é o dever cumprido, não o reconhecimento ou a recompensa. Com isso, você cumpre seu dharma, seu papel no mundo. Acredite: é libertador.
  2. A mudança é uma lei do Universo — assim como a gravidade ou a lei da inércia. Se a tendência é que nada fique como está (para o bem ou para o mal), o sofrimento só pode ter origem no apego. Quanto mais nos agarramos ao que temos, mais dolorosa é a “perda” ou a sua transformação. Isso acontece não somente com bens materiais como casas, carros e joias mas também com velhos ressentimentos, paixões desenfreadas, medos e raivas antigas. Sem a morte ou a mudança, não há espaço para o novo, para a criação — e consequentemente, para que coisas melhores apareçam. Portanto, perdoe aquele cunhado caloteiro: no mínimo você vai ganhar um coração mais leve.up
  3. A promiscuidade, a raiva e a ganância são a porta para a autodestruição. Tudo o que vemos, ouvimos, sentimos e percebemos como realidade são, na verdade, uma ilusão criada por nossos sentidos — bastante convincente, mas ainda assim uma ilusão. Eles criam uma espécie de mapa da realidade, e há tantos deles quantos seres humanos (cada um tem o seu). A obsessão por sexo, a exasperação e a ambição desmedida turvam os nossos sentidos; como resultado, temos um mapa da realidade embaçado, o que prejudica nosso discernimento e nos leva a ações equivocadas (quem nunca se arrependeu de uma decisão tomada em um momento de raiva?).
  4. Conheça a sua essência. Nosso corpo é apenas um estado transitório. Nossa essência está na alma — pura, eterna e indestrutível. Segundo Adam Brady, professor de yoga e membro do Chopra Center há 20 anos, “quando você perde de vista esse entendimento, esquece a sua real identidade. (…) Ao viver como manda a sua alma, fica impossível nutrir dúvidas, medos ou inseguranças. Seus pensamentos, palavras e ações personificam a essência do espírito livre — destemido e seguro de si.” Pense nisso antes de se deixar levar pela opinião dos outros — você é muito maior do que o papel que desempenha aqui na Terra.
  5. Aja. Qualquer que seja a sua decisão, faça alguma coisa, tome uma atitude. Dúvidas, medo, ansiedade, insegurança e o excesso de preocupações nos deixam paralisados — o que gera mais confusão mental e ainda menos ação. “Krishna relembra Arjuna que estamos no mundo para agir”, diz Brady em seu post. “Quando você não age e fica preso naquele eterno ‘e se’, nada se concretiza e você duvida ainda mais de si mesmo. No entanto, se você agir, ou vai conquistar seus objetivos e se sentir realizado ou vai fracassar e aprender com a experiência.” Ou seja, você só tem a ganhar. (Está esperando o que para ir atrás do emprego dos sonhos, chamar aquela pessoa especial para sair ou escrever o livro que você protela há anos?)

 

O QUE TORNA O BHAGAVAD GITA TÃO POPULAR e atual não é tanto seu caráter sagrado — mas o respeito às limitações humanas (claro, o fato de ele ser venerado no segundo país mais populoso do mundo ajuda bastante).

Em vez de exigir que não sintamos raiva, orgulho ou inveja — algo que provavelmente nem o Buda conseguiu —, o Bhagavad Gita nos incentiva a encarar nossas fraquezas pelo que são, sem julgamentos. De uma forma bastante realista, Krishna reconhece que a dualidade é parte da nossa natureza — e sabe como é difícil fazer determinadas escolhas.

“Para entender o Bhagavad Gita é preciso localizar na consciência o momento em que você cresceu como ser humano, deixando para trás uma cólera, uma inveja ou uma debilidade”, diz a professora Lúcia Galvão, da Nova Acrópole. “Um pedaço de você fica para trás, mas nasce uma nova possibilidade de ver o mundo.”


Quer saber qual foi a decisão de Arjuna no Bhagavad Gita e o que aconteceu com ele depois do papo com Krishna? Leia o Mahabharata, mesmo que você não seja hindu. A versão de Krishna Dharma transforma os milhares de versos antigos em uma prosa empolgante, com direito a intrigas de família, pancadaria entre homens e deuses, heróis virtuosos e laços de amizade que superam o tempo. Vale muito a pena.

 

© Espaço Govinda (www.espacogovinda.com.br). Proibida a reprodução total ou parcial deste post sem a expressa autorização do autor. Citações estão liberadas desde que forneçam créditos ao site e link para o conteúdo original. 

 

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